Princípios e Ética

A AP defende, como princípios fundamentais:

Princípios terapêuticos: que asseguram que a Psicanálise é adequadamente conduzida e terá como objectivo o conhecimento pessoal, que se tornará consciente através de um diálogo permanente com o inconsciente. A Psicanálise será, assim, a análise do psíquico para evidenciar os seus elementos constitutivos e processos operativos.

Princípios éticos: consistindo a Psicanálise, na sua definição mais abrangente, numa forma específica de diálogo e de vivência emocional que conduz à consciência e à realização do Self, por razões éticas e científicas, as diversas formas de diálogo não podem ser regulamentadas por imposições exteriores ao próprio contrato analítico entre analista e cliente. Os aspectos atrás mencionados aplicam-se também durante a formação e no que se relaciona com as supervisôes. Esta forma de compreender a psicanálise implica, obrigatoriamente, um contrato específico caso a caso.

Para a AP, a ética psicanalítica é, essencialmente, o compromisso do psicanalista com o paciente, que passa pela natureza do vínculo que aquele estabelece com este – um vínculo para o conhecimento à procura da verdade, isto é, ao encontro consigo mesmo, ao seu self autêntico, à sua verdade intrínseca: o seu desejo genuíno, os seus valores próprios, os ideais que verdadeiramente o determinam.
A ética psicanalítica não deriva de qualquer moral exógena e heterónima, seja ela de origem religiosa, política, ideológica, ditada pela tradição cultural, pela moda da ocasião, pela utopia concebida do grupo de pertença ou pelos constructos normativos da sociedade de afiliação. A ética psicanalítica resulta da moral endógena e autónoma, decorrente da empatia e da compaixão, do respeito pela natureza e liberdade do outro.
Em coerência com estes princípios, a AP não receberá fundos de nenhuma instituição que possam comprometer os princípios e a liberdade intelectual expressos nos seus estatutos.

Princípios científicos que se baseiam no alargamento do conhecimento teórico-prático em liberdade: o objecto de estudo do psicanalista e do psicoterapeuta psicanalítico não se pode limitar à definição de um só autor, mas deve reunir todos os estudos que tenham obtido reconhecimento por parte da comunidade científica. Tal princípio é importante para garantir a abertura e a evolução, sem os quais a ciência corre o risco de perecer.

Princípios formativos: o melhor e o mais seguro modo para a formação de um analista é o seu próprio processo psicanalítico. Adicionalmente, a formação psicanalítica e psicoterapêutica obriga à frequência do curso de formação definido pela AP, bem como à supervisão de casos clínicos.

Na sequência destes princípios, a AP propõe-se estimular o diálogo da psicanálise com áreas diversas do conhecimento científico bem como manter intercâmbios com as universidades, procurando despertar nos estudantes o interesse pelos desenvolvimentos científicos da Psicanálise.
Ainda com a mesma preocupação a AP integra, para fins científicos, técnicos e de ensino, dois departamentos: Departamento de Psicanálise e Departamento de Psicoterapia Psicanalítica, cada um com a sua formação e graduação específicas, uma vez que se trata de técnicas diferentes de psicoterapia e com objectivos terapêuticos diferentes.